19 de out. de 2011

Travessia Petrópolis-Teresópolis 2011 – 19, 20 e 21 de agosto.




Esse relato é formado por vários trechos de mensagens trocadas e impressões deixadas pelos camelos que efetivamente participaram da travessia. O relato propriamente dito, feito pelo Sandro, está mais adiante. Antes, porém, algumas mensagens dos dias anteriores à travessia, com a camelada já entrando no clima. Foram 11 montanhistas:

- Alberto “Mestre” (Guapimirim);
- Sandro “Yoga” (Rio de Janeiro);
- Luís Cláudio “Dinho” (Magé);
- Fábio “Muito Doidoooo” (Rio de Janeiro);
- Viviane “Branca de Neve” (Rio de Janeiro);
- Gustavo “Guga” (Duque de Caxias);
- Aline (Duque de Caxias);
- Flávia (Teresópolis);
- Wallace (Belo Horizonte);
- Ernâni (Belo Horizonte);
- Jones (Belo Horizonte).






15 de agosto, 4 dias antes do começo da travessia:



Dinho

“ACABEI DE COMPRAR OS INGRESSOS PARA A TRAVESSIA PETRO-TERE 19/21-08-2011. DINHO 100% CONFIRMADO....
VAMO LÁ CAMELADA!!!!!
“
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Sandro

“COMPREI meu ingresso hoje também com direito a beliche nos dois dias!Esse negócio de travessia tá ficando BOM demais! (...)
AVANTE CAMELOT
”
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Wallace

“Ingressos comprados aqui em BH tb. Devemos chegar na rodoviária de Petrópolis as 6hs. Depois é pegar um taxi para a portaria. Acredito que no máximo 7:30 estaremos lá(...)”
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16 de agosto, 3 dias antes do começo da travessia

Alberto

“Boa noite rapaziada.

Estamos às vésperas de nossa terceira tentativa de travessia deste ano, já que os outros dois grupos dos Camelos de Mochila que tentaram a travessia em 2011 não concluíram em virtude do mau tempo.

Como vocês podem observar nos sites de previsão do tempo, parece que também não teremos moleza neste final de semana.

Tudo indica que teremos tempo instável no sábado (dia da travessia propriamente dita) e chuva (90% de probabilidade, segundo o CPTEC) no domingo.

Sendo assim, me sinto no dever de alertá-los (principalmente aos novatos e despreparados fisicamente) com relação aos riscos de se tentar uma travessia com tempo chuvoso.

Esta travessia nos proporciona uma imensa variedade de terrenos. Desde campos de várzea (Paraíso) até grandes lageados de pedra e escaladas artificiais em escadas de vergalhões (elevador), que teremos que superar, com alguma possibilidade de ser debaixo de chuva.

Como somos todos os integrantes, maiores de idade, conclamo a cada um, avaliar sua real possibilidade física e psicológica de passar por um grande perrengue no PARNASO.

A minha intenção, não é absolutamente desanimar a turma. Mas tão somente chamar a atenção para os riscos naturais de uma atividade como a que vamos fazer, principalmente com tempo chuvoso.

Por outro lado, vale a pena lembrar, que em 2009, todos os institutos de meteorologia indicavam quatro dias de chuvas fortes na Serra da Mantiqueira e fizemos a travessia da Serra Fina sem pegar uma gota de chuva. Apenas um mau tempo no segundo dia, que virou um belo dia de sol no dia seguinte.

Uma coisa posso afirmar: Esta travessia vai ser inesquecível e estamos indo com a elite dos Camelos de Mochila. A nossa tropa de Choque:

1. Jamiu, a lenda, o mito..
2. Sandro Yoga O mestre da orientação e boca de lixeira.
3. Dinho. Meu Guia protetor.

Com estes três, fico tranqüilo e super animado para encarar este perrengue. Afinal de contas, Chega de moleza né?

O PARNASO tem sido muito generoso com os Camelos de Mochila nos últimos anos.


Está na hora de sermos testados!

Com relação à chegada em Petrópolis, faremos o seguinte:
· Sairei de Guapi às 5:00h e deixarei o Yoga com as mochilas na rodoviária de Teresópolis para que ele compre as passagens para o ônibus das 7:00h.
· Deixarei o carro na Sede do Parque em Teresópolis às 6:00h e pego um táxi para a rodoviária de Terê.
· Devemos chegar na Sede de Petrópolis por volta das 9:00h.

Certamente, este esquema vai ser precioso, depois de um Domingo Chuvoso na trilha, já que o carro estará à poucos metros da barragem.

(...)

Vamos em frente Camelot. “
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17 de agosto, antevéspera da travessia

Gustavo

“Senhores, é com um enorme prazer que confirmo minha ida à travessia... Acabo de comprar nossos ingressos (meu e de minha esposa)...

Abraços.
Guga
“
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Fábio

“Ingressos comprados! Infelizmente o abrigo do Sino está lotado e terei que levar a barraca.
Consegui o abrigo do Açu, que na minha opinião é mais importante pois o dia é mais pesado.

Avante!

Sds
”
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19 de agosto, 1º dia da travessia

O primeiro dia da travessia foi acompanhado à distância pelos demais camelos através das mensagens enviadas pelo Fábio:


“Todo mundo junto reunido pra iniciar a subida. 10:20. Deu pane no celular e replicou a msg.Avante! Fabio”
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“Tudo em ordem. Seguindo rumo ao Ajax, esta ventando e amenizando o calor.Guga voltou do queijo.Peco q acompanhem a chegada deles. Quem puder ligue no final do dia pra ele. Sds, Fabio”







“Estou com a primeira vista do Acu. Acredito que chegaremos com mais 1h. Valeu! “


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“Abrigo do Acu lotado. Todo mundo em ordem. Chegamos no Acu 18h. Fabio “
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Já na madrugada do sábado, o Gustavo, que havia retornado da Pedra do Queijo com a Aline, envia mensagem tranquilizando todos que acompanhavam o transcorrer da travessia:

“Pessoal, obrigado pela preocupação. Cheguei em Guapi 22h. Preparo físico péssimo e estado de saúde da patroa foram os principais motivos da desistência. Ela tá bem, apenas pouco enjoada. Boa trilha amanhã. Na melhor previsão, chuva só a noite. Na pior, chuva a partir da tarde (fonte sites de previsão). Avante camelot.”

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No dia seguinte, o Gustavo enviou outra mensagem:

“Beleza pessoal... Um novo dia começa, os camelos já estão que nem cabritos nas montanhas do PARNASO e nós aqui na torcida pelo sucesso deles...

Hoje acordamos bem, meio doídos, mas com uma lição de vida DO CACETE...

Mandamos mensagens dos nossos passos para o Muito Doido, mas já depois das 18h, não sei se ele já tinha sinal... A Aline passou um pouco mal na volta pra casa, mas já está melhor...

Abraços a todos, e AVANTE CAMELOT...
“











E a última mensagem enviada direto da travessia:




“Travessia concluida. Chegada na portaria 10h. Pegamos chuva apenas no final da trilha do sino. Descemos com tempo fechadoFiquei sem bateria mas o sinal de celular estava na trilha toda. Valeu! Fabio”



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Relato do Sandro “Yoga”


“Queridos amigos Camelos. Me diverti ao ler as tentativas de adivinhações dos passos camelísticos para a Travessia 2011.
.
Temos muita experiência com tudo que já passamos mas a cada ano as coisas mudam completamente, certo? Embora a montanha esteja sempre lá, ao entrarmos em seu mundo, nunca é igual.


5ª feira

Fui resgatado pelo Alberto na Ilha e fizemos o mercado a noite em Guapi, arrumando as malas para a Travessia.

Guga e Aline nos visitaram a noite e degustamos uma deliciosa macarronada entrando no clima amigo da travessia.

Podemos afirmar que o Oteb esteve conosco pois se juntarmos o Guga e o corpo do Ernani, quem aparece?

Mto doido optou em subir pra Tere e ficar mais perto do parque para começarmos nossa correria pro parque na madruga de sexta.

Fiquei na rodoviária cedinho e comprei as passagens para as 7 da manhã de Tere para Petro junto com a Vivi, Flávia, Aline, Guga, Alberto e Fábio. A ida de bus Tere x Petro demora 100 mins os quais aproveitei para tirar um suave ronco restaurativo! Chegando lá o traslado só pode ser feito de Taxi (2 carros) pois já era quase 9 a.m

Eramos 7 em dois taxis voando pro parque, num total de R$ 150 (R$ 22 para cada).

Chegamos lá e encontramos com o amigo Dinho sorridente dizendo: tá tarde, vambora! Junto a ele nossos três amigos mineiros.

Depois de todos os procedimentos para a entrada no Parque começamos a trilha (não sei precisar a hora de início).

Aqueles quilômetros iniciais de adaptação com mochila, subida e um forte sol foi duro até a chegada do Queijo. Após as fotos e um rápido lanche percebi que estávamos todos sem água. Subir o Ajax praticamente a seco num sol a pino seria um novo desafio.

Nosso amigo Guga avaliou suas condições e depois de algumas horas juntos tentando como grupo ver a melhor solução ele percebeu que seria mais prudente seu retorno...

Enfrentamos aquela subida sob um SOL implacável. No Ajax relaxamos e bebemos mta água e comemos bastante para restaurar nossa energia. Encaramos a Isabeloca renovamos e com bastante água e ao chegarmos ao cume percebemos que o tempo estava apertado.

Conseguimos chegar ao Açu antes do final do dia e ficamos realmente encantados pelo serviço do nosso anfitrião. Não lembro o nome mas é o cara que o Oteb descreve como funcionário modelo: acolhedor, inteligente e um lord. Uma pessoa rara !

Convidou os camelos acampados a se juntar a nós na cozinha e lá rolou um belo jantar regado a café e um bom bate papo.

Uma noite de glória para quem tava dentro do abrigo, com seus colchões grandes e roncos melodiosos. Uma noite sofrida para os que ficaram do lado de fora: o forte vento queria arrancar as barracas do chão!

Preocupados com o longo dia que iria seguir começamos o segundo dia da travessia focados, com os obstáculos naturais e seus caminhos tortuosos não tínhamos idéia de como o grupo reagiria.

A iminência da chuva ficava em nossa mente o tempo todo e aturar o cavalinho em baixo dágua seria algo chatinho demais né?

Logo na primeira descida (morro do marco?) tivemos um belo bate cabeça, separando os grupo, fazendo com que o Alberto voltasse e subisse toda a montanha sozinho atrás dos mineiros que não apareciam no rádio! Em minha cabeça passava: se começamos assim... imagina o que virá pela frente?

Por incrível que pareça, aquela piramba que sempre erramos e ficamos varando mato deu certinho. Entramos no cume pela esquerda e achamos uma bela entrada de trilha. Seguimos por uma trilha bem feita e seguimos a travessia sem nenhum problema. O grupo se organizou e ficou mais sintonizado. Vencemos os obstáculos naturais da travessia e o mestre Alberto encarou o cavalinho com sua cargueira nas costas numa escalada sem corda -deixando até o grupo de bombeiros boquiabertos!

Encaramos o restante do dia com tranquilidade e chegamos ao Abrigo 4 as 16hs. Nos organizamos e aproveitamos a desistência de muitas pessoas para alojar os camelos que não queriam acampar com a ameaça de chuva.

Mais uma dúvida se instalou no grupo: descer naquele momento (16:30) ou esperar o dia seguinte e partir.

Alberto, Dinho, Muito Doido e Vivi conseguiram camas e todos decidimos descançar e começar a descida bem cedo no dia seguinte (acho que depois desta experiência que é dormir num quartinho o Alberto e o Dinho não serão mais os mesmo ;)

No abrigo tinha uma turma de jovens bombeiros que cometeram a façanha de tomar o banho de 5 mins todos juntos. Claro que essa foi a piada da noite !!! Conseguimos concentar no mesmo quarto os famigerados roncadores: Fábio, que agora tem um ronco suave, Yoga, que desenvolve sua técnica sonora e um bombeiro mais afinado!

O pensamento para o final da travessia era: acordar mega cedo e partir. Combinamos de 7 a.m começar nossa descida. Com medo da eminente chuva e uma pressa infernal nosso grupo novamente se separou:

As 7:05 Yoga seguiu na frente levando Flávia, Vivi e Muito Doido.


Alberto veio 10 minutos atrás com o Dinho .


Os mineiros ficaram para aproveitar mais um pouco do dia.

Andando forte e sem paradas nosso grupo reagrupou na cachoeira véu da noiva e seguimos até a porta de saída do parque.

Saímos: Yoga, Alberto, Dinho e Flávia. Sentamos (sem lugar coberto) sob uma leve garoa e esperamos por algum tempo o grupo de trás que não apareceu.

Decidimos ir até o carro na certeza que tudo corria bem com os demais camelos desgarrados.

Como podemos observar as coisas saíram diferentes do convencional. Nos separamos o tempo todo e no final não temos idéia do que rolou, se o Fábio saiu bem, se os mineiros chegaram a tempo no ônibus, etc.

Creio que temos que avaliar melhor qual é a melhor maneira de fazermos nossas atividades como grupo onde possamos ter a tranquilidade em saber que tudo deu certo e todos partiram para os seus destinos a salvo.

Valeu Camelot, travessia 2011 realizada!

Como vocês estão?
“
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Fábio

“Tudo em ordem! A chuva apertou no final da descida e diminuimos o ritmo. Seguimos juntos com o Luciano Mateiro que nos falou sobre diversas travessias no parque, diversas possibilidades e caminhos. Tambem nos contou sobre uma travessia em Paraty que ficamos cheio de vontade de fazer. Enfim, descemos numa boa mas não encontramos o pessoal na saida.Boas palavras Yoga!Valeu cada minuto juntos com os amigos! Sds, Fabio”
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Alberto

“Caros Camelos.

Não posso me estender (...)

Assim que me liberar escrevo com mais calma.

Só gostaria de ressaltar alguns momentos que para mim ficarão marcadas na memória. Algumas positivas e outras nem tanto:

· O choro do Guga e da Aline ao decidirem retornar (Decisão dolorosa, porém sábia).
· O Choro silencioso do Fábio em nosso momento meditativo após superarmos o cavalinho. Muitas palavras rolaram naquelas lágrimas silenciosas.
· O meu choro solitário em minha beliche na última noite do abrigo 4.
· A saída repentina do primeiro grupo do Sino, sem os tradicionais café da manhã coletivo e sem nossa prece de agradecimento e fotos (eu e Dinho cumprimos solitariamente a tradição, em respeito aos que não foram e gostariam de estar lá).
· A nossa chegada à barragem, com o grupo dividido e desordenado, completamente fora de nosso perfil de espírito de corpo.

Mas as lições foram aprendidas (por mim) e o saldo foi positivo, já que conseguimos concluir a travessia e agregar novos e excepcionais amigos ao grupo.

Parabéns a todos.”

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Wallace

“Olá amigos Camelos,

Chegamos em BH bem. Queriamos agradecer a compania de vocês nesses três dias, foi muito bacana.


Essas figuraças que conhecemos vão sem dúvida ser a memória principal desse passeio.

No último dia, os planos que tinhámos de conhecer o topo do Sino foram cancelados quando acordamos e vimos que não teria muito visual. Preferimos dormir um pouco mais e fazer as coisas com calma. Depois que os últimos camelos desceram (Dinho e Alberto) fomos tomar café e depois arrumar as coisas.

Descemos as 8:45 em direção a portaria. Como o Alberto havia avisado a trilha era bem tranquila. Chegamos na lanchonete perto da portaria as 13:30, depois de algumas paradas para lanchar e tirar fotos. Não pegamos chuva, só uns respingos das árvores molhadas. Depois de fazer uma horinha na lanchonete um senhor nos levou até a rodoviária de Teresópolis e de lá seguimos nosso caminho para casa. Conseguimos um sicronismo perfeito entre os ônibus!

No geral achei que no primeiro dia achei que o grupo estava bem unido apesar das diferenças de desempenho (alguns estavam com mochilas excepcionalmente pesadas e outros não tão em forma). Depois acho que o medo da chuva acabou dividindo muito a equipe (principalmente na etapa antes do cavalinho e depois na volta do abrigo 4). Algumas vezes preferimos ficar para trás para curtir, tirar fotos, comer um miojão ou simplesmente para fazer cia para quem estivesse fechando a trilha.

No mais fico feliz em saber que tudo correu bem e todos chegaram sem maiores problemas.

Abraços,

Wallace
”

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14 de jul. de 2011

Portais de Hércules e Caminho do Índio - 8, 9 e 10 de julho.




Essa história começa 3 meses atrás, quando os Camelos decidiram fazer, pela quinta vez, a travessia Petrópolis-Teresópolis, um de nossos programas favoritos. E essa preferência se justifica não só pela beleza da trilha em si, não só para ficar isolado do mundo civilizado por alguns dias, mas principalmente pelo privilégio de conseguirmos fazer tudo isso juntos.




Porém, na semana anterior à data marcada, de um grupo de 12 camelos que estavam confirmados para ir, 8 desistiram por motivos diversos - uma verdadeira conjunção dos astros ao contrário, hehehe. Dos 4 que restaram, dois nunca haviam feito a travessia. E ainda por cima soubemos na véspera que ficaríamos sem corda, item de segurança sem o qual recuso-me a passar no cavalinho e na passagem anterior a ele.




Mesmo assim, resolvemos ir e ver no que dava. Afinal, já tínhamos comprado o ingresso e não queríamos suportar um prejuízo à toa. Eu, George, William (que já havia ido conosco no Papudo/São Pedro/Morro da Cruz) e Thiago fomos os 4 que restaram. Os dois últimos saíram direto do trabalho para a rodoviária Novo Rio, onde nos encontramos já quase na hora de saída do ônibus das 18h30min para Petrópolis. O tempo estava horrível no Rio, mas a previsão do tempo garantia que os dias seguintes seriam de sol na serra.




Chegamos em Petrópolis e nada do George aparecer. Ele veio por Nova Iguaçu, mas seu ônibus atrasou 50 minutos. Fazia um frio considerável na rodoviária de Petrópolis, e o George chegou poucos minutos antes da saída do ônibus que nos levaria à nossa próxima conexão: o Terminal Corrêas. De lá, esperamos mais um pouco até a chegada do famigerado 616 - PINHEIRAL, que nos deixaria quase na porta do parque. Chegamos na portaria do parque por volta das 22h30min, onde fizemos um bivaque. Felizmente, não chovia. E fui dormir tenso e desmotivado com as incertezas que nos cercavam: será que conseguiremos arranjar corda com algum outro grupo? Será que os novatos aguentarão o ritmo? Será...




Virei de lado e dormi.







SEXTA-FEIRA, 8 de julho.



Acordamos por volta das 05h45min. O George disse que, durante a madrugada, um cachorrinho veio até onde estávamos dormindo e ficou cheirando nosso material, hehehe. Tomamos café, ficamos mais despertos e, por volta das 06h35min, começamos a subida. O tempo estava aberto, um lindo dia na serra. Pouquíssimas pessoas subiam. Na nossa primeira parada, na bifurcação do Véu da Noiva, encontramos com um trio que iria direto para o Abrigo 4, no Sino. Paramos para descansar e eles passaram direto.






Estávamos num bom ritmo, sem pressa, e toda hora alertando o William e o Thiago: "Olha, essa subidinha para a Pedra do Queijo é bem chata...", "se cansar, avisa...". E no meio dessas recomendações, subindo na maior calma, eis que em 47 minutos depois da saída da bifurcação do Véu, chegávamos na Pedra do Queijo inteiraços, hehehe. Bem diferente do ano passado, quando subi gripado e levei mais de uma hora com umas 3 paradas para conseguir chegar. Saúde e preparação é tudo!





Nos abastecemos, vimos a paisagem do Vale do Bonfim e, em seguida, continuamos a subida em direção ao Ajax, onde combinamos parar por 30 minutos. A subida estava extremamente agradável, todos estavam suportando muito bem o esforço, a temperatura estava ideal e subíamos sozinhos pela trilha.





Uma hora depois da saída da Pedra do Queijo, chegávamos ao Ajax. Abastecemos os cantis, comemos, descansamos e em seguida fomos encarar a ladeira da Isabeloca. Algumas nuvens começaram a chegar e começamos a temer a possibilidade de não termos uma boa vista no chapadão do Açu.





A subida foi uma das mais tranquilas de todos os tempos, hehehe. Quase não cansamos, pois subimos num ritmo lento, mas tenaz, com rápidas paradas para preservar o fôlego. Quando menos esperávamos, já havíamos subido 3/4 da ladeira e isso nos motivou. Os novatos estavam muito bem, as nuvens traiçoeiras haviam se afastado e a Pedra do Urubu, que marca o final da ladeira da Isabeloca e o início do chapadão do Açu, estava cada vez mais próxima.





O visual da Pedra do Urubu é um verdadeiro motivador para quem está subindo. De lá, dá para ver todo o caminho percorrido: a portaria no Bonfim, a Pedra do Queijo, o Ajax e a Isabeloca. Sempre bate um vento restaurador lá em cima. Da Pedra, falta só uma hora para chegar no Açu, e ainda por cima esse caminho será trilhado pelo chapadão, um de meus lugares favoritos. Se tudo estava a nosso favor desde o início do caminho, agora mesmo é que estávamos na cara do gol!





Quase chegando ao Açu, avistamos ao longe uma pessoa cortando o mato da trilha. Mais parecia um beduíno no meio da miragem. Quando chegamos perto, vimos que tratava-se de um funcionário da Hope (empresa que ganhou a licitação para cuidar dos abrigos e venda de ingressos no parque). Era o Carlos, com quem conviveríamos pelos próximos dias. Com o corte que ele fazia, o caminho ficou bem mais definido, sem o excesso de mato característico desta parte da trilha. Uns 20 minutos depois, chegávamos ao Abrigo 5, no Açu, onde encontramos os 3 caras que já havíamos passado noa bifurcação do Véu da Noiva. Eles seguiram para o Abrigo 4 e nós fincamos nossa bandeira no Açu.










Enquanto William e Thiago montavam sua barraca e George fazia o mesmo, eu me alojava no abrigo. Era a única pessoa hospedada lá, hehe. Conheci o Hamilton, o funcionário mais gentil e gente boa que já pisou no PARNASO em todos os tempos, hehehe. Ficamos surpresos com tamanha eficiência. Esta aí a prova que, hoje em dia, basta alguém ser solícito e educado que se destaca imediatamente da maioria. Além de conhecedor dessa região (passeia por ali desde os 8 anos d eidade), ele também é membro do CEP.




Havia muito pouca gente subindo naquele dia, acho que a maioria preferiu não arriscar pensando que o tempo fecharia. Mas o que víamos era como se o parque estivesse dentro de uma bolha de tempo aberto, enquanto todo o horizonte estava tomado por nuvens.


Depois de alojados, fomos andar pelas redondezas do Açu. Enquanto o Thiago dormia na barraca, eu, George e William procurávamos a entrada do Caminho do Índio, que nos levaria à parte baixa do Morro do Açu. Como já estava quase na hora do sol poente, deixamos nossa procura para lá e fomos para o cruzeiro do Açu ver o pôr-do-sol.




Fazia um frio animal no cruzeiro, ventando demais, e faltando uns 10 minutos para o sol sumir, eu e William desistimos e descemos. George ficou e registrou o astro-rei indo embora.






A noite caiu rapidamente e um frio digno da serra veio junto. Às 19h00, fazia 7º C. Nossos pés começaram a doer de frio, não importava a quantidade de meias que colocássemos. Paralelamente a isso, o céu estava muito limpo e começamos a avistar vários satélites. De repente, um dos acampados em frente ao abrigo falou em tom enigmático: "Vocês têm certeza mesmo que são satélites?". O que veio em seguida foi um relato de um contato imediato de quarto grau que ele disse que teve no Peito da Pomba, em Sana. Foi a sensação da noite no abrigo 5, hehehe.




Enquanto isso, George negociava uma corda e até conseguiu de um funcionário do parque, que naquele dia estava de folga e guiava um grupo, a promessa que ele deixaria sua corda no cavalinho para que pudéssemos usar e em seguida devolvê-la no abrigo 4. Mas, a essa altura, pesando todos os prós e contras que se apresentavam naquele momento, estávamos mais propensos a não finalizar a travessia e tentar algo novo: os Portais de Hércules!




Dormi sozinho no abrigo, e o Hamilton até arranjou-me um colchão (eu estava na área de bivaque), o que foi providencial para aguentar o frio de 0º C que fez durante a madrugada. William, Thiago e George sofreram bastante também - sobretudo nos pés. Mas quem está na serra não pode esperar algo muito diferente mesmo, hehehe.







SÁBADO, 9 de julho






Às 05h00, o Hamilton me acordou. O sol nasceria às 05h32min, então tratei de me agasalhar com tudo o que estivesse à mão e fui com o pessoal assistir ao sol nascente. Ele apareceu pontualmente por trás dos 3 Picos de Friburgo às 05h32min mesmo. Tomamos café, decidimos de vez que não terminaríamos mais a travessia, comunicamos essa decisão ao pessoal do abrigo (que teria que avisar isso ao pessoal do abrigo 4, onde tínhamos reservas, e ao pessoal das duas portarias), preparamos nossas mochilas de ataque e fomos em direção ao Morro do Marco. Objetivo da manhã: conhecer os Portais de Hércules, tido por muitos como o mais espetacular mirante de todo o PARNASO.




Toda a tensão, desmotivação, surpresas desagradáveis e incertezas dos últimos dias haviam sumido. Agora não dependíamos de mais nada e de ninguém, e essa autonomia me fazia ficar amarradão para conhecer um lugar que sonhava em pisar há mais de 5 anos! Sentia que George, William e Thiago estavam na mesma sintonia e nos entregamos ao simples e imenso prazer de trilhar um caminho totalmente novo para nós. Meus olhos brilhavam. O brilho da novidade!




Descemos a laje do Açu com um tempo aberto e visuais de tirar o fôlego na direção do Vale do Bomfim. No caminho, cruzamos por diversos jardins de bromélias, todas com gotículas de gelo nas folhas.






Rapidamente, chegamos no colo entre o Açu e o Morro do Marco. Com mochilas de ataque, chegamos ao cume em menos de 15 minutos! Enquanto isso, as cargueiras descansavam nas barracas e no abrigo, hehe. Do cume, avistávamos boa parte da cadeia de montanhas, e láááááá´embaixo, no final da descida natural da montanha do Marco, a pontinha de uma agulha (Coroa do Frade). É bem de frente para essa agulha que fica o mirante dos Portais de Hércules.






Daí em diante, foi uma vertiginosa descida de aproximadamente uma hora, com um caminho muito parecido com o tipo de terreno do chapadão do Açu - muitas lajes de pedra e capim-de-anta. O caminho é todo marcado por pequenos totens de pedra e setas riscadas nas lajes, e aproveitamos para reforçar essas marcações e refazer alguns totens que estavam caídos.




Já quase no mirante, há um pequeno descampado onde dá para montar uma barraca e ao lado uma formação de pedras (para proteção contra o vento) onde se pode cozinhar. Depois, ficamos sabendo que é um local de acampamento para quem vai atingir a agulha da Coroa do Frade, onde é necessário fazer um rapel de 80 metros pelo abismo.










Há muito tempo que não experimentava uma sensação de liberdade tão grande como neste lugar. Tudo lá é imponente e silencioso. Descíamos sem a menor pressa, tínhamos o tempo a nosso favor. Curti o máximo que pude todos os momentos do caminho, e depois de uma hora de descida, eis que chegamos à beira do abismo. Na verdade, havíamos chegado em um dos mirantes dos Portais. Para chegar ao mirante principal, teríamos que passar por um trecho de capim-de-anta da minha altura, atravessar para o outro lado passando por dentro de um riachinho e só aí atingir a pequena laje de pedra do mirante.











É impressionante o tamanho do abismo e a proximidade da agulha do mirante! As fotos e filmagens não conseguiram exprimir a real dimensão de distância e tamanho das coisas neste lugar. De lá, dá para ver a área intangível do parque, que é proibida à visitação: longas escarpas totalmente cobertas de vegetação, um abismo enorme, e um paredão ao lado do mirante mais enorme ainda (hehehe). Emoldurando a paisagem, toda a cadeia do PARNASO, com as nuvens em constante movimento passando pelos picos mais altos. No meio dessa experiência sensorial, só nos restou sentar, descansar, fazer nosso lanche e aproveitar o dia!












Hora de voltar, pois tínhamos mais uma hora de subida e já começava a fazer calor. Felizmente, há um riachinho e pude me abastecer para a volta. Satisfeitos, fica mais fácil subir. Chegamos ao Marco, onde encontramos um grupo que subia em sentido contrário (sentido travessia), e logo depois já estávamos no abrigo. Lá, encontramos quatro mineiros que estavam de passagem (dois fariam ainda a escalada da Agulha do Diabo, e os outros dois só a travessia). Saíram juntos.




Com isso, ficamos só nós e os dois funcionários do abrigo em toda a região do Açu. Nenhuma outra barraca, ninguém. Almoçamos, tiramos um cochilo sob o sol na laje de pedra que fica de frente ao abrigo e ficamos nessa paz e silêncio de 12h30min até aproximadamente 15h00, quando começaram a chegar alguns grupos de "aborrecentes" (os moleques pareciam ser do Restart) e outros trilheiros vindos de Petrópolis. Mas tínhamos em mente um objetivo para aquela tarde: conhecer o Caminho do Índio, cuja entrada fica nas proximidades do abrigo. A atração seria um pequeno poço abrigado por pedras. Pegamos umas dicas com o Hamilton, o guia e por volta das 15h00 fomos à luta!








Depois de uns 10 minutos que havíamos saído do abrigo, chegamos numa laje de pedra que é o ponto mais alto do caminho, de onde tiramos a foto acima (um mini Portais de Hércules, hehe). De lá, avistávamos toda a parte baixa do Açu (aquela área enorme que se avista da área de barracas) e trilharíamos por boa parte dela, outro sonho antigo meu, que tinha muita curiosidade em saber como era aquela área. E é linda!










A partir daí, para mim tudo foi uma grande diversão. Procurando caminhos, seguindo totens, abrindo picadas no braço, cortando-se com mato... Ou seja, totalmente entregue ao prazer de andar por caminhos desconhecidos. Passamos por algumas pedras curiosas (a Pedra da Bola era a mais pitoresca) e nada de achar o tal riachinho.









Desistimos de achar o tal riachinho (as indicações do guia estavam meio confusas) e voltamos para o acampamento. Fomos ver o visual noturno da área de barracas e emseguida voltamos para o abrigo para afzer nosso rango. Pegamos tudo que restava de comida e no final acabamos produzindo uma deliciosa gororoba com sopão de entrada e miojo com sardinha/atum de prato principal.




Com as facilidades do abrigo, lavamos rapidinho as panelas e pratos e já estávamos prontos a nos entregar ao ócio, batendo papo furado na laje em frente ao abrigo e vendo estrelas cadentes até dar sono. O frio estava menor nesta noite, e fui dormir leve, com a certeza de que o dia 9 de julho de 2011 tão cedo não sairá de minha memória.








DOMINGO, 10 de julho





Hora de partir. Café, desarmar barracas, ver os últimos detalhes. Conhecemos um senhor de 66 anos, o José Luiz, que tinha uma foto de 1966 dele com mais 3 amigos acampando no abrigo de pedras do Açu! Isso foi há 45 anos, e ele estava retornando ao Açu exatamente naquele final de semana, 45 anos depois. Naquela época, eles vinham a pé de Corrêas, pois o parque não tinha entrada no Bonfim - e isso dava duas horas de caminhada adicional. Inclusive, foi o neto dele quem tirou essa foto aí em cima, onde aparecem o Thiago, Hamilton, Carlos, eu, William e George. Uma foto marcante desses três dias no Açu.




Era uma experiência nova descer pela portaria de Petrópolis, e as paisagens estavam impactantes nesse dia. Para qualquer direção que se olhasse, só coisas lindas de se ver. O que tornou a descida bastante agradável e alto-astral.




No caminho, o George deu a ideia de tomarmos um banho antes de sairmos do parque - e é claro que foi amplamente apoiado. Só não sabíamos se seria no Véu da Noiva ou no Poço Paraíso. Acabamos, no final, optando pelo Poço da Ducha, uma área de fácil acesso e mais afastada do povo que fica no Poço Paraíso, mas que também faz parte do Circuito das Bromélias - que faz a ligação entre todos os lagos e riachos desta parte do parque.





Quando chegamos lá, era quase inacreditável que um lugar maravilhoso como aquele estivesse totalmente à nossa disposição. Só que a água estava tão gelada que foi difícil encarar mais do que 10 segundos dentro dela, hehe. Foi para terminar com chave de ouro nossa estadia no parque.




Saímos do parque sedentos por uma Coca estupidamente gelada. Descemos bastante o bairro do Bonfim até finalmente acharmos o nosso líquido negro uns 40 minutos depois. Fizemos nossa celebração enquanto esperávamos o ônibus para o terminal Corrêas. Chegando lá, pegamos outro ônibus até a rodoviária mas, antes disso, ele quebrou na estrada e ficamos esperando a chegada do próximo. Sinistro... No final, nos despedimos na rodoviária com a sensação de que havíamos realizado algo especial.




Na volta para casa, pensando nos 3 dias passados no PARNASO, só pensei na frase que o William repetia seguidamente quando estávamos chegando nos Portais de Hércules: "Esse lugar é mágico!".




Ele está coberto de razão!



Beijos e abraços em todos e até a próxima camelaaadaaaaaaaaa!







PS: Fica a dica - o Hamilton disse que o mirante mais lindo do PARNASO é o do Morro do Eco - 9 horas ida e volta, saindo do Abrigo do Açu. Quem sabe este não é o próximo?

27 de jun. de 2011

TRAVESSIA DA SERRA DA CARIOCA - 25 de junho de 2011



Inicialmente, marcamos de fazer a travessia da Serra da Carioca no feriado de Corpus Christ. Todos os sites de previsão do tempo indicavam "sol para o feriadão" e, diante desses prognósticos animadores, lá fomos eu e o George fazer mais essa trilha preparatória para a travessia Petrópolis-Teresópolis. Só que os sites erraram fragorosamente e tivemos que abortar nossa missão. Choveu quase o dia todo.


Mais eis que, às 22h00 da sexta-feira, o George renova o chamado para o dia seguinte e, claro, fui amarradão fazer uma de minhas travessias preferidas. Aliás, uma das mais lindas travessias urbanas do mundo! Afinal, uma travessia que começa no Parque Lage, passa pelo Corcovado, pela Estrada das Paineiras (com seus mirantes e quedas d´água), Morro do Queimado (que tem provavelmente o panorama mais abrangente da cidade do Rio de Janeiro), Mesa do Imperador, Vista Chinesa e termina com a possibilidade de banhos de cachoeira no Horto não é para qualquer cidade! É uma trilha abundante em quantidade - e qualidade - de paisagens. E abundante também de pontos de água, tanto na mata quanto nos trechos de asfalto.


Porém, uma névoa espessa estacionou na cidade durante todo o dia e não pudemos apreciar toda essa gama de paisagens. Mas, tudo bem. Pelo menos, nosso treinamento de subidas para a Peterê, que faremos daqui a duas semanas, foi bem proveitoso.





Começamos a subida às 08h00, junto com um grupo de 20 pessoas que iriam só até o Corcovado. Fomos subindo num bom ritmo, mas o terreno fica cada vez mais íngreme a partir da metade da subida. depois do pior trecho de subida, chegamos rapidamente à laje da CEDAE, na famosa "Curva do OOOHHHH". Local perfeito para uma parada de reabastecimento: água, lanche, descanso e apreciação de grande visual (esqueçam essa última opção, hehe). Salvo uma ou outra clareira aberta no nevoeiro, estava tudo tomado por nuvens.


De lá, fomos rapidamente até o estacionamento do Cristo Redentor e, infelizmente, o acesso á estátua está proibido para quem vem a pé (ou de bicicleta) até ali.





A subida do Corcovado, chegando aos pés da estátua, tanto pelo Parque Lage como pelos trilhos do trenzinho ou mesmo pela estrada, era um dos programas preferidos e tradicionais de diversas gerações de cariocas, mas que hoje encontra esse impedimento que diminui um pouco o brilho dessa travessia especial.





Descemos rapidamente até a Estrada das Paineiras e continuamos nossa caminhada com uma temperatura agradabilíssima.






O George aproveitou para tomar uma chuveirada na bica mais baixinha das Paineiras, hehe.






Logo depois, saímos do asfalto para adentrarmos novamente na mata, na trilha que leva ao Morro do Queimado.


O Morro do Queimado é um lugar peculiar no Rio. Trilha de fácil acesso, bem marcada, sem grandes dificuldades técnicas até o cume e, curiosamente, pouco frequentada em geral. É talvez o mais espetacular mirante de toda a cidade, só tendo como rivais à altura o Corcovado e a Pedra da Gávea. Tem uma face voltada para a Zona Norte, onde é possível avistar toda a Serra dos Órgãos e boa parte da baía da Guanabara e bairros adjacentes. Mas o grande trunfo desse lugar é exatamente o mirante voltado para a Zona Sul, onde de uma só visada é possível admirar os maiores ícones da cidade: Corcovado, Pão de Açúcar, Lagoa, Arpoador, Ipanema, Leblon, o extenso verde da floresta da Tijuca, Pedra da Gávea e Pedra Bonita.


Isso, é claro, em dias de céu claro e aberto - o que não foi o nosso caso, hehehe. Pequena decepção diante da paisagem totalmente tomada pelas nuvens.





Então, eu e George chegamos ao cume e, pouco depois, resolvemos parar para fazer um lanche antes de iniciarmos a descida para a Mesa do Imperador. Nessa descida, a trilha apresenta uma característica diferente das outras do Rio: é cheia de pequenas pedras escorregadias, o que reforça nossa atenção, mas sem maiores preocupações.






Passamos por uma pequena escalaminhada, afloramentos rochosos (bons lugares para sentar e apreciar o visual) e pequenos penhascos ao lado da trilha nesse trecho de descida, até chegarmos à bela formação rochosa conecida como Pedra da Proa. A partir dela, a trilha entra novamente na mata fechada e desce por aproximadamente 15 minutos.






Nesse trecho, encontramos um casal que subia, sendo as únicas pessoas que encontramos em todos os caminhos de mata que fizemos durante o dia! Em seguida, há uma bifurcação (entrar à direita!) que leva diretamente, em mais 20 minutos, à Mesa do Imperador.






Na Mesa do Imperador, é hora de voltar ao asfalto novamente - dessa vez, na Estrada da Vista Chinesa. Aqui, a travessia oferece duas vertentes: na primeira, descer em direção ao Alto da Boa Vista, onde em mais 3 Km é possível chegar nas proximidades da praça Afonso Viseu, na entrada do Parque da Tijuca, ou tomar a direção da Pedra Bonita e descer pela Estrada das Canoas, finalizando em São Conrado; e na segunda, descer em direção à Vista Chinesa (que está a 1 Km da Mesa do Imperador) e chegar, 4 Km depois, ao Jardim Botânico. Decidimos pela segunda opção.






A partir da Vista Chinesa, a travessia oferece mais 3 opções de percurso: o primeiro, pegar uma triulha pela mata e descer até o Parque da Cidade, na Gávea (um dos mais belos parques do Rio, mas que atualmente encontra-se em mau estado de conservação); o segundo, descer pela mesma trilha anterior e, na bifurcação, entrar á esquerda, na direção do Horto, saindo bem ao lado da Escola de Botânica Tropical do Jardim Botânico; e a terceira via é continuar descendo direto pelo asfalto até o Jardim Botânico. Fomos por essa.


Esse último percurso nos dá a opção de fazer pequenos desvios ao lado da estrada e tomar banho em algumas cachoeiras. O George aproveitou a oportunidade e tomou um rápido banho, coroando em grande estilo nossa chegada ao final desse passeio que durou 7 horas e meia (contando as paradas). Já na rua Jardim Botânico, fizemos nosso tradicional "lanche de despedida" num boteco e fomos embora com a certeza de termos finalizado uma travessia que foi prazerosa do início ao fim.




Para finalizar, o George teve a ideia de reunir a camelada e fazer esse caminho invertido - do Jardim Botânico ao Parque Lage, com direito a banhos de cachoeira no Horto, de bica nas Paineiras, fazer um almoço especial nas pedras do Morro do Queimado (com visuais de cair o queixo) e, ao invés de subir aquela pirambeira para o Corcovado, descer - muito mais fácil, hehe. Eu adicionaria uma ida à Pedra Bonita nesse pacote e teríamos só fotos de cartão postal ao fim do dia!


Mas isso ficará mais para a frente.


Beijos e abraços em todos e até a próxima!